RESENHA – ‘UMA VIDA... infinitas saudades’, Por Luísa Galvão Karlberg
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Terça-Feira, 04 de Julho de 2017 às 09:19 - Atualizado em Quinta-Feira, 06 de Julho de 17 às 14:09

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RESENHA – ‘UMA VIDA... infinitas saudades’, Por Luísa Galvão Karlberg

O livro “UMA VIDA... infinitas saudades”, do poeta imortal da Academia Acreana de Letras MAURO D’ÁVILA MODESTO, brinda o leitor com 74 poemas, exatamente no ano em que ele completa 74 primaveras. Esse presente que nos dá é uma obra inigualável, isso porque conduz o leitor àquelas trilhas sagradas do coração, que faz pulsar a vida.

Esta obra é a décima segunda do autor, nascido em Sena Madureira, no Acre. E, toda ela, se apresenta numa edição linda e repleta de atenção e de capricho, desde a escolha do título à produção da capa. Um livro muito bem tecido, onde a emoção suscitada pelo amor, a entrega, a dedicação, cumplicidade, devoção e respeito afloram em muitos versos. Vejamos “Amante e Senhora”: “Você é a guia que comanda meu deserto minha afeição/ lugar onde tudo tem início e fim/ sentimentos intensos/mil perdões/ o partir, o chegar/ o violino a cantar, meu soluço a soluçar/uma nova alvorada/ o sentir/ o beijar” (p.15).

Muito na obra é o poeta a falar à mulher amada, a quem “Para ela, já dei minhas canções/ o perfume de todas as rosas/ o cintilar do dia seguinte/ minhas noites de luar/ e vivo entregando a minha boca para ela beijar” (p.16). Há uma entrega de devoção, de dentro para fora. Aqui o beijo é um segredo que se conta à boca e não aos ouvidos. E aqui, nesta última estrofe, quando o poeta revela a sua entrega, a faz de modo terno, doce, puro, embora eivado de paixão. E, nessa direção, a cientista Sheril Kirshenbaum, autora indiana do livro "The Science of Kissing" (A Ciência de Beijar, em português), diz que os registros do beijo existem há 3.500 anos. Mas este beijo do poeta para sua amada é único, não há e nem houve outro igual, pois esse espaço entre os lábios resume a intimidade entre o homem poeta e a sua musa inspiradora.

Por tudo isso é muito fácil se envolver com a escrita do autor, já que os poemas, em sua maioria, são curtos e carregam uma marca que não passa despercebida: a sensibilidade – sensibilidade para encontrar, em variados temas, o que há de mais profundo e bonito no ser humano: o amor, a saudade, o afeto, a dedicação, a ternura o conforto do carinho, como aflora, intensamente, em “Alquimia do amor”: “Deixa o pessoal comentar .../ Liga não, todos sabem que você é minha liberdade/Minha paixão/ Minha completa vaidade/ Minha brisa matinal/ Minha única rosa de verdade” (p. 34). A alquimia é considerada como uma ciência protótipo ou uma disciplina filosófica que abrange noções da química, da física, da astrologia, da metalurgia, do espiritualismo e da arte. As escolas de alquimia gozaram de grande popularidade na Mesopotâmia, no Antigo Egito, na China, na Índia, na Grécia Antiga e no Império Romano. Por esses dados, considera-se que a alquimia se manteve entre os anos 300 a.C. e 1500 d.C. e se iniciou em Alexandria, cidade fundada em 331 a.C. por Alexandre, o Grande, na foz do Rio Nilo, como capital de seus territórios conquistados no Egito. Mas, aqui, o poeta fala da alquimia como química do amor, uma alquimia que somente ele é capaz de sentir e cantar em seus belos versos. Para ele, não é possível falar do AMOR sem mencionar a química e a alquimia. E, por analogia, o poeta faz a comparação, um belo recurso de estilo para falar daquele amor que envolve seu coração e o faz criança em pureza de sentimentos.

Eu achei fascinante, em toda poesia de “UMA VIDA... infinitas saudades”, essa presença sublimada do AMOR. Isso porque essa tão decantada ‘alquimia’ que embriaga a obra, está baseada nas ideias do filósofo Aristóteles (384-322 a.C.), que afirmou que a matéria era contínua (não formada por átomos como afirmaram corretamente os filósofos gregos Leucipo e Demócrito), e ele aprimorou a ideia dos quatro elementos de Empédocles. Essa ideia dizia que toda a matéria era formada por quatro elementos: água, terra, fogo e ar, e Aristóteles associou a cada um deles duas “qualidades” opostas: frio ou quente; seco ou úmido. E aqui, em cada verso, há a água que rega, a terra que faz florescer, o fogo que arde no coração, e ar que respira saudades, amor, paixão, poesia... Ah! Esse eu lírico capaz de ser água, fogo, terra e ar é fascinante. Grande poeta Mauro D’Ávila Modesto, esses poemas tocam o coração e se derramam pelos olhos...

Abro, novamente, o envelope da saudade, “COPO de saudade”: “Eu só não quero que você esparrame/ ou simplesmente vulgarize o meu copo de saudade/ que enchi gota a gota/ durante toda minha vida”(p.48). Nessa metonímia ‘copo de saudade’ o poeta faz monopólio dela, que é somente sua e traduzível pela linguagem do coração brasileiro, de um poeta de Sena Madureira, no Acre.

De tudo quanto li e bebi, percebo que cada leitor irá se envolver com essa poesia de modo singular, diferente. Esse é um dos papéis centrais da poesia: possibilitar sensações diferentes em momentos diferentes, principalmente quando é uma poesia como a de Mauro Modesto, que nos conduz a refletir sobre o que há de mais belo na alma humana; amor, saudade, paixão, vida, felicidade, prazer, encanto... Sem falar nos poemas que o autor criou formando jogos de palavras e fazendo junções perfeitas que, ao final, nos surpreende e nos mostra sua intimidade: “Quero o teu acalanto/teu alvorecer/teu ano bom/ o teu regresso/teu abraço culposo/ teu poente/ tua fidalguia/ tuas faces rosadas/ teus lábios beijando com amor!” (p.49).

A escrita do autor é muito bem trabalhada, sua inteligência e sensibilidade são indiscutíveis e o livro “UMA VIDA... infinitas saudades” é uma preciosidade na estante de qualquer leitor que, assim como eu, estará sempre folheando e contemplando a escrita desse poeta de Sena Madureira, que soube, como poucos, fazer o uso das palavras de modo simples e ao mesmo tempo profundo, único e encantador. Recomendo a todos que se deleitem na poesia do imortal Mauro Modesto e conheçam uma das mais belas formas de falar “UMA VIDA... infinitas saudades”.

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Luísa Galvão Lessa Karlberg -- É Pós-Doutora em Lexicologia e Lexicografia pela Université de Montreal, Canadá; Doutora em Língua Portuguesa pela Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ; Presidente da Academia Acreana de Letras; Membro da Academia Brasileira de Filologia; Membro perene da IWA; Professora aposentada da UFAC; Embaixadora da Poesia pela Casa Casimiro de Abreu; Pesquisadora DCR – CNPq/FAPAC; Poeta, Escritora.

 

Tag's: AAL, Mauro D'Ávila Modesto, Livro, UMA VIDA... infinitas saudades, Resenha, Luísa Galvão Lessa Karlberg

Fonte: Areaovivo.com


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